quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Trilhas
Dia claro, céu límpido e limpo, salvo algumas nuvenzinhas vagando lentamente procurando outras para assim juntar-se e ansiosamente crescer. Raios de sol, intensos, quentes, extremamente claros, chega a espreitar os olhos, diante a sensibilidade dos globos oculares diante de tão forte iluminação. Jasmins, lírios cor de laranja e violeta, com um cheiro que é perpetuado pelo ar, rosas, brancas, rosas cor- de –rosa. Ah! Cheiro igual não há!Liberam seus perfumes aos quatro ventos existentes, chega a enrugar o nariz com tão intenso aroma. Junto com a imensidão das flores, há gramíneas, bem rasteiras, com o limo incrustado em imensas pedras. Tudo isso juntamente com uma bela paisagem de uma queda d ‘ água, ou melhor, cachoeira. Infinita, de queda alta com o curso d água de barulhos. Ao chegar ao seu destino final, segue firme, cristalina, podendo vislumbrar pedras ao fundo e pequenos peixes que habitam o local. Realmente, um belo dia. Como se não bastasse os belos recursos visuais existentes, queres atravessar a dança da água. Como?Pensa, pensa, cansa, cansa, o sol queima-lhe as costas, a cabeça sem lenço, boné, chapéu ou qualquer proteção, As pernas, já cansadas de desafios, escalar montanhas, atravessar obstáculos, querem apenas um merecido descanso, com o alongar de músculos e articulações. As unhas, cerradas ao punho, cheias de areias escuras denunciam que a realidade é outra: o corpo limpo e perfumado agora está cansado, tenso, encolhido, querendo apenas alcançar o objetivo de driblar o obstáculo e seguir ao destino preterido. O que fazer?Pensa, pensa, cansa, cansa, racionaliza, toma fôlego, mastiga-se o pensamento, degluti-o, digere-o, para que a ideias se transformem em ação. Como fazer para atravessar a cachoeira infinita? A mochila do viajante traz-lhe apenas uma lanterna com mau contato, um suvenir da pequena cidade que havia visitado chaves, documentos, um canivete e não menos importante, uma foto. Se aquilo pode se chamar de foto, na verdade é a coisa mais linda que vi. Família reunida, domingão, almoço, na casa da vó e do vô. Na mesa feijoada com carnes diversas. Saladas multicoloridas, com alfaces verdes e graúdas, tomates vermelhíssimos e pimentões amarelos de tão medrosos que eram! Uma grande garrafa de refrigerante e, na foto, estilo “aquela que meu tio adora registrar”, todo mundo sorrindo, com a boca cheia. O bigode do avô com um arroz pendurado. A avó, com pequenas bochechas gorduchas, lábios finos com um batom rosado, e uma vasta e jeitosa cabeleira branca, alvinha. Os irmãos que juntos, forçadamente à mesa, compartilhavam chifres com os dedos. O sobrinho, de aparência traquina, com um sorriso banguelo, rosa e a língua branca de leite para fora, o cachorro no canto, querendo roubar o lombo e os outros sobrinhos, maiores, com poses engraçadas, dentes já possuem, porém estavam com aquela janelinha característica da vinda de dentes permanentes. Isso, todo mundo rindo de forma bem espontânea, despreocupada, com pedacinhos de coentro entre os dentes, em um belo almoço dominical. Pois bem. Como veres caro leitor, há motivos de sobra para persistir e seguir em frente. Assim, ao vislumbrar o tronco de uma imensa árvore, com cipós grossos enrolados ao seu tronco, decidiu improvisar uma ponte ou jangada. Não relutou, foi, com toda vontade possível e conseguiu arrancar o galho. A noite ameaçou surgir e o desespero crescente fez surgir um ronco interno. O estômago reclamava, necessitava de alimento. Nutrir-se fisicamente. Fingiu não ouvir o apelo interno e assim, noite adentro, com sua lanterna deixando-o de lado por vezes. De manhãzinha, com o crepúsculo de raios de sol, testou a jangada na água. Flutua?Sim, flutua. Pega a trouxa, abarrotada de alegrias, mistérios, anseios e vontade de seguir em frente. Quando fixa na jangada, com o corpo espremido, percebe a falta do remo. Pra quê?Dispõe de dois grandes braços cabeludos e com a cara franzida, peitoral aberto, barba cerrada, cabelos desgrenhados ao vento, rema de forma impressionante. A forte correnteza ameaça sua permanência, mas, diante este fato, não desiste. Diante do desespero, lágrimas escorrem sobre sua cansada face. Festeja, dança, cantarola e grita para a imensa paisagem: consegui!Sim, ele conseguiu. O andarilho então segue sua viagem à procura de desvendar, sobretudo, a si mesmo, não desistindo jamais, diante de qualquer obstáculo, a seguir caminhando com força, coragem e o amor estampado no peito.


Fabiane Costa de Abreu
Disponível em: http://www.facebook.com/notes/fabiane-abreu/trilhas/211410632263431

domingo, 3 de julho de 2011

A Guerra...


Sabe aquela guerra que pegamos a nossa melhor arma, fazemos a melhor estratégia, que ouvimos os melhores conselhos, buscamos os melhores atalhos, nos preocupamos em combater o inimigo e aguardamos a vitória??!
Pois bem, a minha vida se assemelha a essa guerra, porém é uma guerra interna comigo mesma, onde meu maior inimigo são os sentimentos, as recordações, tudo que queima e faz doer...
Então coloco minha melhor roupa e vou à luta, a luta do dia- a – dia, de desvencilhar de tudo que o faz lembrar, luto com a arma do “ não preciso dele”, “ tudo está ótimo”, digo ao meu coração que ele está louco, que nunca houve alguém que me ferisse tanto, digo aos meus olhos que toda aquela beleza não passava de um disfarce, e assim vou lutando contra tudo e todos, luto para apagá-lo de vez da minha vida, é uma luta constante que mais parece não ter fim...
É aí que um dia como esse, quando tiro minha armadura, afasto minha arma e fecho meus olhos, que percebo que toda essa batalha não passa de uma ilusão, de fingimento, que nunca irei ganhar essa guerra, e explico-lhes o por quê:
Quando coloco minha armadura, já penso na mais bonita para atraí-lo
Quando escolho minha arma, procuro a de menor potencial para não ferí-lo gravemente
Quando traço a estratégia de ataque, procuro os caminhos mais fáceis que me levem o mais rápido até seus braços
Até ouço os mais velhos, bons conselhos... Mas não são para mim
Meu inimigo? Meu orgulho, minha teimosia, minha persistência...
Vitória? Sim, sou Vitoriosa!
Sou vitoriosa por amá-lo incondicionalmente e às vezes sou até capaz de enganar a mim mesma com essa história de “estou lutando para esquecê-lo”, quando realmente nunca o quis!

sexta-feira, 3 de junho de 2011

" E mesmo não querendo vejo você em todos os lugares
Tenho você em todos os sonhos
Sinto você em todas as lembranças
Vejo você em todos os rostos
Ouço a sua voz em todas as bocas
Percebo as suas manias projetadas em mim
O seu gosto misturado ao meu
Olho para mim e vejo VoCê
Onde estou eu?
Sou mesmo inteiramente sua?!
Isso desgasta, isso sufoca
preciso me ter, me ver!
Preciso ser eu em mim
preciso me libertar de tudo que faz surgir você!"

quinta-feira, 19 de maio de 2011

COMPLEXO AMOR - soneto

COMPLEXO AMOR


Deveras ser só teu meu amor
E em teus braços o meu leito
Em minha boca o teu furor
Pra te roubar um doce beijo


Teu sabor vem como o mel
Adoçando meu intenso viver
Teus gemidos me levam ao céu
Num ato insano de amar você


Nosso amor é cheio de razão
Com pensamentos instintivos
Eu e você somos supra emoção


Em nosso encontro imperativo
Eu e você complexo e perfeito
Você e eu caminho sem defeito


Artur Cortez
retirado de : http://poemascortez.blogspot.com/2011/02/complexo-amor-soneto.html

segunda-feira, 25 de abril de 2011


 Vi a moça de vestido vermelho
Parecia-me tão distante, pertencia mesmo a outro mundo
Não consegui desprender dos seus belos olhos, de inúmeras cores
Vi-me completamente atraído por sua totalidade
Lábios avermelhados, um mesmo tom de seu curto e deslumbrante vestido
Bochecha rosada, face levemente pintada, era encantadora, viva!
Belas pernas envolvidas de uma discreta meia cor da pele,
 Belos longos cabelos escuros que lhes cobria as costas nuas,
Atraía a todos que ali estavam
Tinha a leveza no caminhar
Uma típica mulher que transborda desejo e paixão
Podia cobrir qualquer homem de amor e prazer
Entretanto, tinha um mistério insondável
Parecia estar triste, um olhar absorto
Era dia de festa, lá estava em meio à multidão
Mas estava só, completamente só
Estava tomada de solidão
Tão bela tão desejada
Porém, tão distante e tão impenetrável
Era a mulher dos meus sonhos
Era a mulher que vivia em sonhos
Oh! Dama do vestido vermelho
Que mal fizeram a ti para ser tão gélida?

quinta-feira, 7 de abril de 2011

 

Saudade arde

E é por falta de palavras que eu escrevo
E no meu pensar te vejo
E te sinto no meu respirar..
Faço, não faço o que quero...
Ao menos espero
Não mais te contactar
E por falta do teu cheiro
Anseio pelo teu odor
Anseio pelo teu ardor
E por falta do sentir, ressinto ainda mais.
E por essa saudade
Talvez ainda presente...
Talvez ansiedade...
Sua vaidade me aprisiona.
E no meu colo se destrona
E no meu colo tão tarde
Sua saudade arde.

By: Heder Novaes e Ayala
 
segue o blog de onde retirei o poema: http://www.kuririnn.blogspot.com/

terça-feira, 5 de abril de 2011

Mais um dia

Passos largos a vagar...
Planos que se dissiparam no ar...
Respire... É apenas mais um dia...
O silêncio que virou alento...
Diálogos que estiveram aqui por um momento...
Respire... É apenas mais um dia...
Olhos que outrora poderiam se cruzar...
Mãos que nunca foram sentidas...
Restando apenas algumas lembranças...
Da canção jamais esquecida...
Dos setembros não vividos...
Mas que está onde sempre esteve...
É apenas mais um dia...
Tardes sob o sol de outono...
Ventos que levaram o vagido e o riso...
Palavras que não foram ditas por algum engano...
Respire... Só respire...
Passos largos a vagar...
Não se pode ver o que se esta distante...
Preferindo não se importar...
E então seguir adiante...
Eram histórias que tinham que ficar...
Imaginando acenos na sacada da janela...
Mesmo que por alguma demora...
Era agradável a espera...
Saudades de onde nunca esteve...
Cartas que foram escritas...
Tudo parecia ser bem melhor...
No recanto da lucidez aquecida...
Versos lidos, relidos, batidos...
Aquele velho vício de querer ficar mais...
Mesmo que por alguns instantes...
Vale a pena... Vale escritos no papel...
Respire...
E o silêncio que ficou perdurando por algum motivo...
Era mais fácil se dar por esquecido...
Do que seguir o crepúsculo...
De certo seria aqui, agora...
Ou adiado pra outra hora...
Nada precisava ser dito...
Se apenas um estranho foi embora.



Marília de Almeida